Resenha: Álbum rap “À Flor da Pele”da dupla BellaDona

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O rap brasiliense sempre teve uma característica mais gangsta, enquanto nas décadas passadas o cenário paulista já começava a engatinhar algumas mudanças, o cenário candango agarrava-se ao Gangsta Rap com unhas e dentes. Isso deu ao Rap Brasília sua própria cara e o destacou no cenário nacional. No entanto, como em todo o Brasil, as mudanças chegaram e o rap da capital mudou de várias formas. Uma das mais significativas vieram com o estilo diferenciado de grupos como, por exemplo, “Tribo da Periferia”, com um som gangsta, recheado de graves e letras totalmente diferentes como “Cururu”, nasceu um estilo novo na capital. Hoje, Duckjay, líder do Tribo da Periferia (pretendo falar deles depois), é um dos principais produtores de Rap do país e com a “Industria Kamika-Z”, marcou seu estilo de batidas diferenciadas, letras melódicas, efeitos eletrônicos e uma espécie de romantismo gangsta, no Rap candango. É nesse cenário que surgem as “BellaDona”.

As minas são Rap pesado. É rap de qualidade.

O nome da dupla, “BellaDona”, nos lembra a planta alucinógena “Atropa beladona”, do qual o chá é usado para viagens loucas, e também, mulher bonita, claro. Ambos os sentidos podem servir como adjetivos para essas rapper’s, pois a beleza de seus rostos e vozes soma-se ao som alucinante.

Geralmente trago a vocês resenhas de lançamentos, porém conheci essa dupla há pouco tempo e estou viciado no som.

A resenha de hoje é sobre o álbum intitulado “A Flor da Pele”, lançado em julho de 2014 o disco possui participações especiais de DuckJay (Tribo da Periferia), Diey (3UmSó), Jhonatan, Annanias e Divido do CTS, Nae Araújo (Adoração Periférica), Neguim (Pacificadores), Wlad BorgesJapão (Viela 17), Renan (Inquérito) e Lívia Cruz, o CD foi produzido por DuckJay e vem com o selo Kamika-Z.

O álbum é pesadão, no melhor estilo Rap Brasília. Representar em um cenário onde a maioria é homem não é para qualquer uma, e Taty e Rayla  representam; como diz a música Não pega “deu asa e as cobras voou”, aliás, uma música em que o vocal lembra o estilo clássico da década de 90 bem usado pelo Álibi na música “Pague pra entrar e Reze para Sair”. O CD já começa violento com a música Bem Mais, rap puro em uma batida alucinante, e esse ritmo é mantido até a última música tendo seu pico na Sustenta essa Lombra e, sua exceção na ótima Eu sou seu amor. Uma faixa que recomendo bastante é a O Jogo Virou, para quem está acostumado com o rap Brasília feito por homens, essa é interessante para ver a visão feminina.

Recomendo todo o CD, mas para a postagem não ficar grande vou deixar minhas cinco preferidas. As que eu escuto todos os dias. Como diz Duckjay, “Viaja não firma, sente essa parada”, dê o play:

1ª Eu sou o amor – Como nossos leitores curtem estilos musicais diferentes coloco como primeira a mais leve, com Wlad Borges na melodia, letra romântica, é uma ótima música para começar. As minas detonam no vocal e na rima.

 

 2ª Game Over – Com uma batida envolvente, com toques eletrônicos, refrão bem no estilo Kamika-Z e as mina detonando na rima em parceria com 3Um Só, essa música é foda!

 

3ª A Flor da Pele – Não é a toa que intitula o álbum. Que rap foda. É o estilo clássico do Rap Brasília, letra pesada e periférica, instrumental bem produzida e refrão melódico. “Avisa pros irmãos que tem função, então controla a pulsação”.

 

4ª Como você quis – É rap brasília quebrando tudo! A participação do Viela 17 e Inquérito deixa tudo ainda mais louco. Curti ainda mais a homenagem que a letra trás aos grandes nomes de brasília: “Sou Câmbio Negro, Viela, sou Álibi, muito respeito ao mestre Genival, Baseado nas Ruas, Rafa e os Magrelos, Provérbio X e Cirurgia Moral…”

5ª Entorpece – Finalizo com essa, pois é a mais envolvente. O título faz jus, essa música “entorpece”!

  À flor da pele – BellaDona

  1. Bem mais
  2. À flor da pele (part. Jhonatan)*
  3. Como você quis (part. Viela 17 e Inquérito)*
  4. Não pega (part. Duckjay)
  5. Eu sou o amor (part. Wlad Borges)*
  6. O jogo virou
  7. Tô pronta (part. Lívia Cruz)
  8. Sustenta essa lombra (part. Tribo da Periferia e Pacificadores)
  9. Game over (part. 3Um Só)*
  10. Entorpece (part. Nae Araújo)*
  11. O senhor das armas
  12. Tá perigoso (part. CTS)
  13. Recalque (part. Jhonatan)

Eu, simplesmente, estou viciado. Fazia tempo que não escutava rap de Brasília, pois estava em outra fase e esse CD me trouxe de volta para o bom Rap da periferia de candanga. Essas donas são belas, são rap, são feras!

E você o que achou? Curta, comente, compartilhe.

 

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