Teria sido Gollum inspirado em um dos vilões de Shakespeare?

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Martin Freeman (John Watson em Sherlock) em recente entrevista ao The Thelegraph, trouxe de volta uma dúvida que há anos ocupa os debates de especialistas nas obras de J.R.R Tolkien; a semelhança entre Gollum e Ricardo III de Shakespeare.

Falando sobre sua atuação na peça do Trafalgar Studios em Londres, onde interpreta Ricardo III, Martin ressaltou algumas semelhanças dos personagens: “Acabei de ensaiar uma cena onde Ricardo tem um debate com si mesmo, onde sua personalidade esquizofrênica aparece. É totalmente Gollum. É como se Shakespeare tivesse criado o Gollum há 400 anos atrás”. Martin Freeman também lembra que na obra de Shakespeare, Ricardo III é corcunda, repugnante e deformado. “Ele poderia de fato ser o Gollum”, afirma.

Há inúmeros trabalhos acadêmicos e resenhas que falam sobre essa relação de Gollum e Ricardo III, entretanto, é importante também termos em mente que ninguém jamais acusou o professor J.R.R Tolkien de ter plagiado o personagem, apenas ressalta-se a equivalência entre ambos.

Eis abaixo o trecho em que Ricardo III seu debate interno semelhante o que ocorre entre Gollum e Sméagol:

RICARDO III (Rei): Dai-me outro cavalo! Ligai minhas feridas! Tende piedade, Jesus! Chiu, tãosó sonhava. Ó covarde consciência, como me atormentas! As luzes ardem azuis, é a meia noite dos mortos. Gotas frias de terror são no meu corpo tremente. De que me receio? De mim próprio? Não é mais ninguém aqui. Ricardo ama Ricardo, ou seja, eu e eu. E aqui um assassino? Não! Sim, sou eu! Então fuge. Quê, de mim próprio? Boa razão há, não me vá eu vingar! Quê, eu próprio contra mim próprio? Coitado de mim, eu amo-me a mim próprio. Porquê? Pelos bens que eu próprio a mim próprio ofereci? Oh, não, pobre coitado, antes a mim próprio tenho ódio por feitos odiosos que eu próprio cometi. Sou ruim vilão.., mas minto, eu o não sou! Sandeu, diz bem de ti próprio! Sandeu, não uses de lisonja! Minha consciência tem milhares de línguas diferentes e cada língua me diz um conto diferente, e cada conto me condena como ruim vilão: perjúrio, perjúrio, no mais subido grau; assassínio, assassínio horrendo, no mais horrífico grau. Todos os pecados diferentes, todos cometidos em cada grau, se ajuntam diante o juiz todos bradando: “Culpado, culpado!” Em desespero cairei. Não há criatura que me ame, e se eu morrer, ninguém me lamentará… E porque o fariam, se eu próprio em mim próprio por mim próprio não encontro dó? Cuido que as almas de todos os que assassinei vieram a minha tenda, e cada qual me ameaçou que amanhã a vingança tombaria sobre a cabeça de Ricardo. (Ricardo III, V, III, 177-207, Shakespeare – William).

Tendo relação direta ou não, Shakspeare e Tolkien são dois imortais da literatura mundial, tais detalhes apenas ressaltam a genialidade de ambos, portanto, ser ou não ser, eis a questão.

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