Resenha: O Nome do Vento

o nome do vento capa
Nos últimos meses a notícia de que a ” A Crônica do Matador do Reivirará série de TV, fez os fãs pirarem, e é claro, o Kalango Atômico não ficou de fora. Mas, quem não leu os livros deve ter perguntado-se: Que diabos é isso? Assumindo  mea culpa e antes tarde do que nunca, trago-vos a resenha do primeiro livro da trilogia para que possam conhecer e quem sabe se interessarem em ler essa obra. Eis O Nome do Vento:
kvhote
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Ao me deparar com o livro pensei “lá vem mais uma comum fantasia épica” e quebrei a cara! O nome do Vento pode ser classificado (na minha opinião) como um dos melhores livros de literatura fantástica lançado nas últimas décadas (isso vale para O Temor do Sábio e, espero que para toda a trilogia).
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A história acontece em dois focos narrativos, em primeira e terceira pessoa, com uma alternância entre passado e presente, sendo 99% no passado.
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Patrick rRothfuss

Patrick Rothfouss

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Nesse universo criado por Patrick Rothfouss há uma lenda: O regecida também chamado de O Arcano, o Sem-Sangue entre outros títulos. Um homem lendário e procurado, em sua volta giram mitos, canções e poesias. Ele é verdadeiro ou apenas um mito? O destino tratou de nos trazer a resposta ao colocar frente a frente Kvothe (pronuncia-se Kuouth), até então o pacato Kote dono da pousada Marco do Percuso e O Cronista, detalhe: não é um cronista é O Cronista.
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Tendo sua real identidade descoberta Kvothe passa a contar sua história e nesse momento mergulhamos em um mundo difícil de abandonar.
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Ah, se não fosse os spoiler’s, há tanto para se falar dessa magnífica obra. Mas, posso adiantar: É uma história de vida, talento e acima de tudo superação e foco. O livro simplesmente prende o leitor, cada virada de página é uma descoberta que varia entre o impactante, revoltante e apaixonante.
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O mais interessante é a forma como a magia é abordada. Para os Arcanos a magia não é magia. É parte de um complexo sistema científico que pode ser aprendido.
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No “primeiro dia”, ou seja, durante todo o livro, vemos o crescimento de Kvote de uma criança parte de uma famosa trupe para um garoto que precisa sobreviver. Logo no inicio a trama torna-se tão triste e abaladora a ponto de envolver emocionalmente o leitor. É simplesmente genial.
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É claro que há momentos “arrastados”, mas passam até despercebidos diante da grandeza do livro.
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Durante toda a trama o autor deixa pistas de que há uma conspiração maior acontecendo. Que há algo deliberadamente oculto, que a história de Kvothe vai muita mais além de suas aventuras de crianças e seus aprendizado de Arcano.
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O mundo criado por Rothfouss também merece destaque por sua complexidade, ele apresenta-nos tudo, sua cultura, sistema monetário, religião, costumes e etc. E diferente de alguns escritores de fantasia, a descrição do cenário, feita pelos olhos do garoto, é de certa forma instantânea, portanto não causa cansaço. Os personagens são todos desenvolvidos com profundidade, os diálogos, graças a maestria da escrita de Rothfouss, são pautados por um belo realismo e muitas vezes carregados de ótimos raciocínios filosóficos.
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universo
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Mas acredito que o mais significativo disso tudo é o mistério que o autor consegue manter. A Trilogia chama-se “A Crônica do Matador do Rei”, mas que rei é esse? O livro não mostra. Quando e como ele matou-o? Continua sendo um mistério, e por fim como alguém como Kvothe tornou-se um mero hospedeiro? São perguntas que nascem é são o grande trunfo do autor para levar os leitores até o final da trilogia.
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Vamos fazer o seguinte, como não consigo falar sem soltar spoiler’s aos borbotões deixemos que o próprio Kvothe se apresente:
Meu nome é Kvothe, com pronúncia semelhante à de ‘Kuouth’. Os nomes são importantes, porque dizem muito sobre as pessoas. Já tive mais nomes do que alguém tem o direito de possuir.
(…)
Meu primeiro mentor me chamava de E’lir, porque eu era inteligente e sabia disso. Minha primeira amada de verdade me chamava de Duleitor, porque gostava desse som. Já fui chamado de Umbroso, Dedo-Leve e Seis-Cordas. Fui chamado de Kvothe, o Sem-Sangue; Kvothe, o Arcano; e Kvothe, o Matador do Rei. Mereci esses nomes. Comprei e paguei por eles.
Mas fui criado como Kvothe. Uma vez meu pai me disse que isso significava ‘saber’.
Fui chamado de muitas outras coisas, é claro. Grosseiras, na maioria, embora pouquíssimas não tenham sido merecidas.
Já resgatei princesas de reis adormecidos em sepulcros. Incendiei a cidade de Trebon. Passei a noite com Feluriana e saí com minha sanidade e minha vida. Fui expulso da Universidade com menos idade do que a maioria das pessoas consegue ingressar nela. Caminhei à luz do luar por trilhas de que outros temem falar durante o dia. Conversei com deuses, amei mulheres e escrevi canções que fazem os menestréis chorar.
Vocês devem ter ouvido falar de mim.
Nem preciso falar que recomendo vivamente a leitura desse livro, pois é simplesmente genial.
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