Na Literatura Fantástica tamanho é documento?

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Acompanhando alguns fóruns e páginas internacionais sobre Literatura Fantástica — como o recomendadíssimo Fantasy Faction — deparei-me com uma discussão interessante que gostaria de trazer aos amantes da Fantasia: Tamanho é documento? Ou melhor, o tamanho dos livros de fantasia realmente importa?

Antes de tudo, se você veio ao post pensando em conotações sexuais ou em fórmulas para aumentar o pênis, sinto muito. Talvez uma futura postagem sobre Podrick Payne te interesse. Esclarecido essa parte vamos aos fatos:

A grande maioria das Fantasias que estão no topo do sucesso ou são livros grandes (em número de páginas) ou são vários livros. Podemos pegar como exemplo os citados aqui no Kalango, seja clássicos como as obras de J.R.R Tolkien, onde quase todas as obras estão relacionam-se entre si, ou As Crônicas de Nárnia (7 livros), ou as mais modernas como As Crônicas de Gelo e Fogo (7 ou até mais livros), O Ciclo de Nessântico (trilogia), Mistborn (trilogia), A Trilogia do Mago Negro, A Saga do Assassino (trilogia),o aclamadíssimo “Crônica do Matador de Rei (trilogia) e claro, Harry Potter (10 livros relacionados). Há inúmeros para serem citados, todos com uma característica comum além da fantasia: O tamanho da obra. Grande parte é composta de trilogias e os de mais sucesso têm ainda um número muito maior, pois além dos livros que compõem a narração principal, são lançados outros paralelos ambientados na história.

Quando pensamos em Fantasia, pensamos de imediato em uma construção em larga escala de mundos, culturas, seres, sociedades, línguas, sistemas mágicos e até de uma nova mitologia. Mas, o que acontece se a história for curta?

Histórias curtas são algo muito especial; elas trabalham de forma diferente na ficção, geralmente se concentrando mais no personagem ou no tema, a construção do mundo ou da cultura é feita com sutileza baseando-se em leves sugestões ou citações. Uma pequena história pode dizer tanto quanto um livro inteiro pode, e às vezes até mais. Histórias curtas também tendem a serem mais abertas à experimentação, às novas ideias, sendo ótimas para arriscar sem ser detonado pelo mercado editorial em caso de erros.

Na verdade se pensarmos nas histórias de ninar, contos de fadas, no folclore e mitologias, vemos que originalmente a Fantasia nasceu em contos e parábolas curtas.

A mitologia nasceu com a necessidade de explicar fenômenos que as pessoas não conheciam, já os contos de fada, parábolas e as histórias de ninar, tinham inicialmente a intenção de passar uma “moral”, uma lição a ser aprendida. Ao contrário do que se pensa, nem sempre foram destinadas apenas às crianças, mas também eram histórias contadas entre os adultos, onde surge também o folclore.

Todas essas histórias curtas influenciaram os primeiros escritores da fantasia. Já no século IX, coletâneas de contos começaram a surgir, e daí por diante grandes obras de fantasia para adultos nasceram. No início a maior parte focadas no Horror/Terror com nomes como Poe, Lovecraft e Bierce, depois temos as história de detetives, algumas com elementos sobrenaturais. E até a metade do século XX, revistas especializadas surgiram e tornaram-se sucesso e, nesse cenário, apareceram nomes como H. Rider Haggard, Robert E. Howard, e Edgar Rice Burroughs  e ganharam vida: Conan, Tarzan, John Carter, e outros.

Essa recapitulação histórica da fantasia é necessária para que tenhamos a certeza: Tamanho de história não é documento, pois a Literatura Fantástica nasceu em histórias curtas.

De fato uma boa história curta tem um poder de envolver emocionalmente o leitor de uma forma que 1.000 páginas não conseguiriam. Isso por que os contos tendem a focar no protagonista, em sua saga, seus pensamentos e anseios, sem ater-se tanto na construção do mundo, levando o leitor à imersão total. Os contos curtos também podem ter a função de dar um “zoom” em uma história grande apresentando outras perspectivas. Um exemplo são os contos que compõem “O Cavaleiro dos Sete Reinos” de George RR Martin. Uma história curta nesse âmbito poderia, por exemplo, passar-se sob o ponto de vista de um escravo libertado por Daenerys e que agora tem que passar pela nova experiência de liberdade, já um conto situado na Terra-Média, poderia focar o ponto de vista de um Orc no exército de Sauron. Esse contos não seriam o suficiente para mostrar toda a grandeza do universo de Martin ou Tolkien, porém apresentariam  um novo panorama dos fatos já narrados.

Histórias curtas não são necessariamente melhores ou piores do que as longas, elas são algo diferente e devem ser apreciadas em seus próprios termos.

Se você está procurando por algo novo, algo curto, algo desafiador ou diferente, algo que assume riscos, ou se você está se sentindo exausto com histórias muito longas, não tem muito tempo ou simplesmente nunca leu fantasia, por que não ter um conto pequeno como alternativa?

Por onde começar? Se estiver na dúvida comece pelo seu autor favorito, nomes como George RR Martin, Patrick Rotfuss, Stephen King, H.P Lovecraft e vários outros possuem contos curtos publicados.  Uma boa também é comprar antologias que são coletâneas de contos diferentes, apesar de possuírem muitas páginas, as várias histórias fecham-se me poucas. Se quiser ler algo de autores ainda desconhecidos, há o aplicativo Wattpad e sites como Roda de Escritores e o O Nerd Escritor. Sem falar como nos sites dos autores ou os feitos em sua homenagem. Na internet contos não faltam.

Parafraseando o velho ditado “Não devemos julgar um livro pela sua espessura”.

E você o que achou? Comente, curta, compartilhe, critique se necessário.

 

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