Violento e melancólico, Logan é uma pequena obra-prima para adultos.

logan

Existem atores que simplesmente transformam-se em seus personagens. Chega a parecer impossível imaginar o personagem na pele de outro ator. Como imaginar outro interpretando Rambo e Rocky Balboa? Eles são Stallone, Stallone eles. Assim, aconteceu e acontece com Harrison Ford (Indiana Jones e Han Solo), Robert Downey Jr. e o seu Tony Stark, Al Pacino (Tony Montana), johnny Depp e seu ego: Jack Sparrow. Eu creio que o mais injustiçado é Hugh Jackman, o homem que a 17 anos se transformou em Wolverine nunca teve um filme a altura de seu talento e muito menos do tamanho real do personagem. Felizmente, tudo muda agora. Infelizmente muda no filme final. Até na sua glória, Jackman vai permanecer injustiçado. Usou as garras de Wolverine por nove filmes e apenas um é inesquecível e inquestionável: Logan.

Inacreditavelmente, foram precisos nove filmes para que saísse algo realmente bom do universo X-men nos cinemas. Foram seis filmes dos mutantes e mais três do homem de adamantium. Meu ranking é: X-men primeira classe, X-men 2, X-men dias de um futuro esquecido e X-men. O resto são porcarias e nenhum, absolutamente nenhum, chega aos pés de Logan, que vai direto pro topo da minha lista. Uma pequena obra-prima.

Logan, o filme e não o personagem, nos mostra um mundo que está a 25 anos sem registrar  nascimento de mutantes. Secretamente, alguns foram criados em laboratório por uma empresa. Logan (o personagem) está velho, acabado e com problemas em sua genética mutante (o fator cura já não é mais o mesmo). O herói raivoso virou um sujeito que tenta levar uma vida comum, com muita mágoa e sem esperança. Um quase moribundo que vive esperando a morte chegar. Segue o resto de vida que lhe resta cuidado do igualmente moribundo professor Xavier. Ambos, adoecidos pela vida, pelos dramas, pelo atual incapacidade de mudar as coisa e, principalmente,  pela biologia. Tudo muda quando eles conhecem a menininha Laura e passam a protegê-la.

Sem medo de errar posso dizer: Logan é um filme excelente. Toda expectativa se confirma em cada cena, cada diálogo. Tudo extremamente bem realizado. O roteiro é excelente, levemente inspirado nos quadrinhos intitulados de velho homem Logan. Aqui, só existe Logan. Wolverine é coadjuvante, ele só aparece as vezes. Durante as duas horas de projeção, temos um road movie com pitadas de western moderno (a estrutura lembra o recente A qualquer custo). Um roteiro carregado de desespero, nostalgia e desesperança na humanidade. Além disso, o roteiro é muito feliz nas homenagens que faz, seja aos quadrinhos ou ao filmes de western (cena memorável em que a TV está passando o clássico Os brutos também amam). Hugh Jackman tem sua interpretação definitiva de Wolverine, carregando no olhar a falta de esperança e por vezes medo. Assim como Patrick Stuart,  que é o “dono” do professor Xavier. Esqueça o maniqueísmo de mocinhos e vilões que segue os clichês do gênero. Aqui só tem gente, até aqueles que seriam os vilões, tem certa humanidade. O filme “de herói” quer mesmo é discutir valores: família, amizade e relacionamentos. Tudo embrulhado por sangue  e violência na carnificina promovida por Wolverine e, principalmente,  por Laura (uma mistura de Arya Stark com Wolverine e uma pitada de Samara). Uma história comovente, feita para quem envelheceu junto como personagem nos cinemas, que segue a linha do cinema de “herói real” que Nolan inaugurou  com sua trilogia do Batman.

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