Torcendo Contra (O filho de Saul)

kasaul

Confesso que pensei em não escrever meus achismos sobre O filho de Saul, filme ucraniano que acabou de ganhar o Oscar de melhor filme estrangeiro e mais um zilhão de outros prêmios, inclusive em Cannes. É extremamente conflitante quando a “massa midiática” se curva diante de um filme é a gente (no caso, eu) não. Estamos em tempos conturbados, em que discordar da “opinião pública” te faz um suspeito, assim, quase cúmplice. Como falar mal de um filme sobre o holocausto? Serei acusado de anti-semitismo? Como não gostar de um filme múlti aplaudido, extremamente elogiado? Só criei coragem depois que vi a matéria e a polêmica que o Padre Fábio de Melo se meteu depois de criticar a obra literária O pequeno príncipe, e olha que ele só criticou o trecho “tu se torna eternamente responsável por aquilo que cativa” que realmente é de uma enorme imbecilidade, #tamojuntopadre, eu te cativo e agora sou responsável por você? Responsável é ca%#&*&@‼‼! Meu nome é Zé Pequeno

O filme gira em torno de Saul, judeu preso em um campo de concentração que decide enterrar uma criança morta pelos nazistas. Saul esconde e carrega o corpo para cima e para abaixo a procura de um rabino para realizar o enterro. 

Com menos de uma hora de projeção aproximadamente dez pessoas já tinham abandonado a jornada de Saul no cinema em que eu estava. O tema holocausto não é fácil, não é bonito, mas geralmente é emocionante. Aqui está o primeiro problema, em nenhum momento o filme te emociona, não deixa claro se a criança é de fato filho de Saul, várias vezes ele é alertado que não tem filhos. Mesmo que não seja, o desejo de alguém conceder a uma criança um enterro dentro de sua crença religiosa deveria emocionar, mas não emociona. Outro problema é a falta de carisma de qualquer personagem, todos turrões, já não basta estarem fudidos nas mãos dos nazistas, é preciso  sacanear uns aos outros, num festival de gente ranzinza (eu imagino que não tem como ser legal dentro de um campo de concentração, mas…), um ambiente totalmente hostil criado também pelos judeus. Ninguém ganha a simpatia da platéia, nem mesmo Saul, que parece a beira da loucura com sua jornada fúnebre. A única coisa que vale é a interpretação de Géza Röhrig dando credibilidade à Saul e fazendo disso a coisa mais poderosa do filme, sempre com a mesma expressão, geralmente um pavor no olhar. Destaca-se também a fotografia, e a vantagem de mostrar o holocausto por um outro olhar, dando vida e protagonismo aos judeus. Pena que o resultado não emocione, não empolgue e irrita tanto que faz torcer contra o protagonista.

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