Retalhos da modernidade.

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Aos poucos Jason Reitman vai se tornando um dos meus diretores prediletos. Me encantei por Obrigado por fumar, devido ao sarcasmo e realidade crua que ele trata o lobby da indústria do cigarro. Depois veio Juno e a certeza que esse sujeito tinha uma técnica apurada e um jeito único de contar suas histórias. Em Amor sem escalas, ele mostra os efeitos da crise econômica de 2008 e a nova ordem feminina, em filme puramente real. Jovens adultos é seu único trabalho que ainda não conferi. Ano passado Refém da paixão soube com maestria contar a história de um amor impossível. Agora chega aos cinemas seu e (já adianto) ótimo trabalho: Homens, mulheres e filhos.

Acompanhamos a vida de 5 famílias e suas diversas formas de encarar a vida moderna. Smartphones, tablets, computadores, redes sociais e todos os “problemas” que essa nova forma de viver trouxe. Temos a mãe que expõem a filha na internet em busca da fama repentina, o adolescente que desiste da carreira promissora no futebol americano para se dedicar ao mundo online dos RPGS, o casal que procura na internet o que falta na vida a dois, a mãe megalomaníaca por segurança cibernética, a menina que frequenta sites de magreza e evita comer. Enfim problemas do cotidiano moderno.

Impossível não sair incomodado do cinema e não refletir sobre o quão estamos despreparados para essa vida de cliques, curtidas e exposição desenfreada que a internet e a tecnologia proporcionam. O único erro de Reitman foi expandir o leque da história, talvez se fosse mais enxuto, certamente criaria maior simpatia com o público, apesar que é fácil se sentir parte do filme, já que as situações da tela certamente acontecem com nós. A proposta de Reitman foi apontar o dedo na nossa cara e escancarar como estamos obcecados por tecnologia e como agimos condicionados pelas “regras” impostas pela nova sociedade, sem questioná-las. Como zumbis vamos caminhando de cliques em cliques, likes em likes, vídeos em vídeos e de postagens em postagens. Um ótima reflexão para cada um de nós.

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