Rastros de sangue.

O-Regresso-Trailer

Poucos atores conseguem escolher tão bem seus papéis quanto Leonardo DiCaprio. Reparem na filmografia do sujeito. É uma avalanche de filmes ótimos, com filmes bons e uma minoria, mas minoria mesmo, de filmes irregulares. Tamanha sabedoria para escolher seus personagens e seus filmes, renderam 191 indicações (como ator e/ou produtor) e 72 vitórias. Na mais famosa das premiações, o Oscar, DiCaprio tem 6 indicações, incluindo a deste ano, são 5 como ator (uma como coadjuvante) e uma com produtor (O lobo de Wall Street), o curioso é que até agora nenhuma vitória. Tudo parece mudar esse ano, Leo é o franco favorito.

Em O regresso, DiCaprio é Hugh Glass, uma espécie de lenda das histórias estadunidenses, pois sobreviveu ao impossível. Glass é um homem branco que transitou entre o mundo dos colonizadores e dos índios, viveu um amor com uma nativa e tem um filho mestiço. Hugh, trabalha como guia para uma companhia de pele de animais. Depois de um ataque indígena que dizima parte dos caçadores de peles, Glass busca guiá-los pelas montanhas para fugir da tribo, porém, ele é atacado por um urso (melhor cena do filme) e fica a beira da morte. O capitão da companhia decide então pagar para que alguns homens cuidem de Hugh até o momento inevitável de sua. Um dos voluntários é Fitzgerald, justamente um opositor de Glass, que pelo dinheiro vai tentar antecipar sua morte. Abandonado a própria sorte, Glass luta contra a natureza, contra os índios, contra os franceses pela sua sobrevivência e parte em busca de vingança contra Fitzgerald.

Pense nos belos cenários natura de Na natureza selvagem encontrando a sede de vingança da noiva em Kill Bill. Embrulhe tudo em uma espantosa fotografia de Emmanuel Lubezki, no perfeccionismo do diretor Alejandro G. Iñarritu e na dedicação suprema de Leonardo DiCaprio, o resultado é uma obra magistral. Os prêmios técnicos do Oscar parecem já ter destino certo, podendo escapar apenas para Mad Max. Iñarritu conduz tudo de forma lenta, as vezes até demais, para construir sua saga sobre vingança. Utilizando-se apenas de recursos naturais de iluminação, o que levou as filmagens a durarem 9 meses, Lubezki e Alejandro retratam a natureza em sua plenitude natural, o que deve garantir a Emmanuel seu terceiro Oscar consecutivo (ganhou por Gravidade e ano passado por Birdman). Iñarritu merece seu segundo Oscar, também consecutivo (venceu por Birdman), por tamanha busca pela perfeição ao retratar uma história selvagem em todos seus fragmentos, pelo perfeccionismo de evitar ao máximo recursos artificiais. Tom Hardy, conduz seu Fitzgerald de maneira digna, mas não creio que ganhe como coadjuvante. DiCaprio, se dedicada como nunca, sofre como nunca, fala pouco como nunca e merece ganhar como nunca, mesmo não sendo sua melhor interpretação. Por fim, estamos diante de um filme com 12 indicações ao Oscar, Ator, Ator Coadjuvante, Direção de Arte, Melhor Diretor, Melhor Edição, Edição de Som, Melhor Figurino, Filme, Fotografia, Maquiagem e Penteado, Mixagem de Som e Efeitos Visuais. Como filme ainda prefiro A grande aposta, porém, O regresso é uma aula de amor e dedicação ao espetáculo que é o cinema.

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