Queixo de vilão.

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Ao fim de Garota exemplar me perguntei, quando David Fincher vai fazer um filme ruim? Aliás, ele é capaz de dirigir um filme ruim? Hoje a resposta é não. E a minha esperança me diz nunca! Fincher é autor de filmes sobre humanos. Ele conduz sua narrativa pela a alma obscura de seus personagens. Ele estreou sem nenhuma moral com Alien 3 e teve a moral de matar a tenente Ripley. Depois veio a obra prima Se7ven- os 7 crimes capitais e a percepção que não importa o lado, os homens são parecidos. Vidas em jogo mostrou que os homens são mesmos doentes. Na perturbadora obra prima O clube da luta vemos o que é um mundo feito de caos, subversão e sabonetes. Quarto do pânico é seu momento magistral de brincar de ser Hitchcock. Com Zodíaco a certeza de uma sociedade insana e sedenta por sangue. O curioso caso de Benjamin Button mostrou um diretor sensível e porém dark. Outra obra poderosa A rede social desvenda do que os homens são capazes. Os homens que não amavam as mulheres é um filme de impacto sobre a maldade humana. Veja essa filmografia, não existe nela sequer um filme ruim, não existe deslizes, obviamente alguns melhores do que outros, mas existe um autor extremamente competente e um cineasta fenomenal.

Garota exemplar tem uma temática simples, Amy Dunne (Rosamund Pike) uma jovem desaparece misteriosamente no dia do quinto aniversário de casamento. Os rastros deixados para trás apontam para o marido Nick Dunne (Ben Affleck). Aos poucos a narrativa nos conduz em diferentes percepções sobre o casamento de Amy e Nick. Cada um deles narra o relacionamento de uma forma e deixa evidente o contraditório.

Cheio de reviravoltas e com um elenco afiadíssimo, detentor de uma fotografia exuberante, aliada à uma edição eficaz e um roteiro poderoso, todos esses ingredientes fazem de Garota exemplar uma obra prima. Fincher não tem pressa para destrinchar sua visão sobre o casamento, cena por cena, narrativa por narrativa o diretor desconstrói qualquer senso de fantasia e nos brinda com a alma perturbada dos seres humanos. Além de desmascarar (mais uma vez) o circo midiático, toda essa euforia que a desgraça alheia provoca nas pessoas. Todos os tipos da vida real estão representados. Os programas sensacionalistas da TV (Cidade Alerta, Brasil Urgente) os apresentadores que se alimentam da violência que tanto criticam (Datena, Marcelo Resende) o escracho público que a imprensa provoca sobre os acusados mesmo sem provas. Tudo no roteiro que foi escrito por Gillian Flynn, que também é a autora do livro no qual o filme é baseado, é exuberante e escancara nossos problemas sociais, morais e emocionais. Affleck tem seu melhor papel um anos e Pike carrega o filme. Até o elenco secundário é eficiente, com destaque para o advogado feito por Tyler Perry. Fincher aponta seu dedo na cara da sociedade que não consegue viver sem um selfie, gente que vive de se expor e expor os outros. Mais uma obra genial do homem que não dirige filmes ruins. Vida longa à David Fincher.

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