Quanto custa mandar no mundo?

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Paul Greengrass se especializou em filmar o “real”. Desde Domingo Sangrento em 2002, seus filmes ganharam ares de produções verossímeis, quase documentais. Se domingo sangrento abriu as portas de Hollywood para esse britânico, a tetralogia  Bourne (Paul, dirigiu A supremacia e o Ultimato), mostrou ao mundo todo seu potencial. O melhor ainda estava por vir, com o tenso e premiado Vôo United 93. Depois dirigiu o forte e denunciante Zona Verde. A confirmação de que não é apenas um aventureiro de sorte está aqui, com esse que possivelmente é seu melhor filme. Capitão Phillips é um registro magistral do mundo nas mãos dos estadunidenses.

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Acompanhamos a história real do Capitão Richard Phillips, um homem comum, pai, esposo e funcionário dedicado de uma gigante dos transportes portuários. Phillips está com uma carga milionária a caminho dos E.U.A e sua rota passa por uma das regiões mais perigosas do mundo para navios cargueiros, os mares próximos da Somália e seus perigosos e corajosos piratas. Se de um lado temos um profissionalismo e o gigantismo dos portos, seus cargueiros e tripulação, do outro vemos a fome, a coragem, o amadorismo (muitas vezes beirando a ingenuidade) e as regras inexistentes que regem a pirataria moderna. Os magricelas somalis sonham com uma vida boa, cheia de dinheiro e de preferencia longe da África. A desmedida entre essas duas realidades fica evidente na cena da tomada do cargueiro. aos nossos olhos parece impossível que uma pequena lancha consiga dominar o gigante das cargas, o contraponto africano, a África ditando as regras nessa região do mundo. Phillips salva sua tripulação e acaba sequestrado pelos somalis, nesse momento, lembramos que o mundo tem dono, e os estadunidenses mostram que na vida real tamanho é sim documento.

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Greengrass se concentra no resgate do Capitão, evita fazer “denuncismos”, apenas mostra as coisas como elas são. Eis o grande trunfo do filme, entre as diversas leituras que podemos fazer da obra, a minha percepção era: será que tudo isso é mesmo para salvar esse homem? por mais que ele tenha feioa algo grandioso para sua tripulação, Phillips é apenas o Capitão de uma empresa privada.  Minha maior pergunta, o que levou o governo americano a mover um oceano inteiro para resgatar esse homem? Por que acionar os Seal’s? quanto custou o resgate do ponto de vista financeiro? Minha própria resposta: mostrar ao mundo quem manda. Não importa se Phillips é membro do governo ou um mendigo de rua na África. O que realmente importa para a imponência bélica dos estadunidenses é que o mundo inteiro saiba os E.U.A mandam no mundo. Não respeitam quaisquer regras de territorialidade ou tratados internacionais. Apenas agem com desculpas (aqui é resgatar um cidadão seu, como já foi a ameaça comunista, o programa nuclear iraniano, o combate ao terrorismo, a caça a Bin Laden e tantas outras). Paul está de parabéns, seu filme é excelente. Hanks abre caminho para mais um Oscar, sua entrega ao personagem é magistral, a cena final emociona grandiosamente. Greengrass filma ação como nenhum outro diretor atualmente e novamente nos entrega um obra poderosa e real.

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