Por uma vida sem camarote.

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Woody Allen é um diretor da alma humana. Sua trajetória é marcada por filmes que revelam a alma de seus personagens e obviamente a nossa alma, pois, atingem os espectadores. Seu novo filme, Blue Jasmine,  é mais um exemplar dessa sua inconfundível característica de cineasta.

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Jasmine (Cate Blanchett), vive um nova realidade, uma vida marcada pela falta, por uma relativa pobreza. Tudo bem diferente de quando era casada com Hall (Alec Baldwin). Seu marido era um figurão dos negócios ilícitos que proporcionava a esposa uma vida de luxo e glamour. O grande problema é que Jasmine  não saiu do camarote, pensa ainda viver como a rainha do tal melhor lugar da balada. Com a prisão do magnata esposo, ela abandona a vida de rica na Europa e passa a viver de favor na casa da irmã, Ginger (Sally Hawkins), no subúrbio de São Francisco. Os conflitos com a nova realidade e com irmã acabam agravando seus problemas de saúde e emocionais.

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Allen mostra a vida pós crise econômica, que começou em 2008 e até hoje reflete na vida de milhares de pessoas. Gente que de uma hora para outra perdeu tudo e se foi obrigada a viver uma nova e escassa realidade, onde muitos preferem continuar se auto enganando e se apegar as aparências e mentiras. Para nos brasileiros, Hall é bem real, homem bem sucedido apesar dos meios criminosos, são o retrato de um Brasil marcado pela corrupção e basta lembrar da máfia do ISS paulista para perceber isso. Cate é o maior trunfo dessa obra, sua Jasmine é real, tipicamente burguesa falida. Blue Jasmine não é um filme marcante e nem um dos melhores de Woody, mas ainda sim reflete a marca de um cineasta que não se cansa de expor  a verdade sobre os seres humanos.

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