Poderosamente verdadeiro, infelizmente real.

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Na madrugada de 1º de Janeiro de 2009, as primeiras horas do ano que acabava de se iniciar foram as últimas do jovem Oscar Grant III. Ele volta com a namorada e um grupo de amigos, todos negros, das festividades da virada de ano. Oscar é ex detento, desempregado e baixa renda. No vagão do metro ele encontra um desafeto dos tempos da prisão e começam uma pequena e rápida briga. O vagão é esvaziado e os negros são o alvo da polícia. Chutes, socos, desrespeito e o tiro que matou Oscar Grant é ouvido e filmado por várias pessoas que testemunharam os abusos dos policiais contra os jovens. Grant esta deitado, desarmado, completamente rendido e não representava nenhum tipo de perigo para ninguém. Oscar morreu horas depois no hospital. Essa foi a realidade deste jovem de 22 anos, pai de uma menina de 5 anos. Fruitvale Station retrata com maestria esse fatídico momento.

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O diretor Ryan Coogler busca humanizar Oscar Grant, mostra seu lado pai, filho e neto. Também não esquece de sua personalidade forte e gênio explosivo, com uma narrativa não cronológica o diretor vai aos poucos montando seu quebra-cabeças simplista que vai culminar no momento derradeiro da vida de Grant. Testemunhado e filmado o fato culminou em uma onda de protestos na comunidade negra. O polícia cumpriu míseros 11 meses de prisão, o que deixa claro que a carne mais barata do mercado continua sendo a negra.

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Para nós brasileiros, tão acostumados com as arbitrariedades da polícia, o filme-denúncia quase documental de Coogler soa como a música dos Racionais Mc’s.  Impossível não torcer pelo jovem negro e pobre que busca desesperadamente fugir do destino violento reservado a boa parte da população negra, seja no Brasil ou nos EUA. Grant é aquele homem na estrada recomeçando sua vida, que a música dos rappers narra. Como cinema o destaque são os ótimos atores, Michael B. Jordan é o dono do filme, seu Oscar Grant é absolutamente real. Octavia Spencer que interpreta sua mãe também está excelente e o diretor Ryan Coogler faz um filme forte e impiedoso, que nos lembra diretamente que o destino dos negros retratados em Os donos da rua, de John Singleton, de 1992 é até hoje o mesmo.

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