O gênio e seu ego indomável.

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Eu acreditava que sabia pouco sobre Sebastião Rodrigues Maia, mas ao fim de Tim Maia, percebi que não sabia praticamente nada. O filme atiçou minha curiosidade e fui pesquisar sobre a vida desse personagem celebre da música. Se fosse gringo, esse gênio indomável, figuraria junto à outros anjos rebeldes da música como Janis Joplin, Jim Morrison e Jimi Hendrix. Como é brasileiro, seu lugar está guardado juntamente com Cazuza, Cássia Eller e Chorão (por que não?). Todos esses músicos fazem parte da ala de seres incompreendidos e por muitas vezes incompreensíveis. Gente que vive a sua maneira e tem um dom para conseguir acumular problemas. Personalidades fortes que encontram na vida sem regras tudo o que precisam para viver e justamente por isso acabam vivendo pouco, lamentavelmente muito pouco.

Acompanhamos a vida do Tião da Marmita (Robson “o cara da Sky” Nunes), e sua pouca vocação para levar desafora para casa e uma vontade ímpar de se tornar cantor, passando por muitas dificuldades, até mesmo várias prisões, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. Tudo muda quando conhece Fábio (personagem real, que tocou por mais de 30 anos na banda de Tim, mas no filme é um acumulo de várias pessoas que cruzaram com Sebastião) assim como Janaína (personagem fictícia, que também reúne varias mulheres da vida real). Assim vemos o rei do soul brasileiro surgir, sua música empolgante, todo o sucesso e sua personalidade propicia para a auto destruição.

Tim Maia é o melhor filme sobre um músico brasileiro. O roteiro de Mauro Lima fugiu da tentação barata de transformar cada frase do filme nos versos das musicas de Tim, assim como ocorreu em Somos tão jovens, que retrata uma parte da vida de Renato Russo. Outra achado do filme é Babu Santana, o ator merecia e precisava do papel. A vida do ator se confunde com a do próprio Tim, batalhando desde 2002, quando esteve em Cidade de Deus, o ator viveu de pequenos papeis, geralmente o traficante, só agora tem a chance de ser protagonista. Sua entrega ao personagem é a alma do filme, engordou 25kg sozinho, sem ajuda de ninguém para ficar idêntico a Tim Maia. Babu Santana merece todo nosso respeito. Na parte negativa apenas a narração em off do personagem Fábio (Cauã Reimond) não pelo off em si, que funciona bem em vários filmes (Forrest Gump, Um sonho de liberdade) mas pela forma muito didática e cansativa. Outro problema é o personagem de Roberto Carlos, extremamente caricato, beirando o mal gosto, apesar da coragem de retratar bem as belas sacaneadas que o tal rei da música nacional deu em Tim. Por fim vale cada centavo gasto na ingresso, um belo filme brasileiro.

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