O capitalismo como ele é.

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Acabaram as férias e vamos abrir a temporada do Oscar. Começamos com A grande aposta de Adam McKay que não é o primeiro filme a retratar o mundo dos capitalistas de maneira tão escancarada, outros projetos já se aventuraram, Wall Street- Poder e cobiça e sua continuação Wall Street- O dinheiro nunca dorme, ambos de Oliver Stone. Martin Scorsese nos presenteou com o antológico O lobo de Wall Street. De maneira menos direta, Michael Mann pincelou a podridão da industria do tabaco em O informante, que deve ser assistido em conjunto com o maravilho Obrigado por fumar de Jason Reitman. O documentarista Michael Moore jogou a merda no ventilador com Fahrenheit- 11 de setembro e Roger e eu.Todos esse filmes reunidos montam um gigantesco mosaico de como agem os homens no capitalismo. A grande aposta é certamente o mais completo de todos ao retratar como agem os homens que operam o famigerado “capital”. A história é real apesar de parecer mentira.

Michael Burry (Cristian Bale) um analista financeiro meio deprê é o primeiro a enxergar através dos números, o eminente colapso do “solidíssimo” mercado imobiliário estadunidense, que culminou numa crise mundial. Como um bom homem de negócios,  ele encontra um meio de ganhar dinheiro no caos. A ideia avança apenas num seletíssimo grupo de investidores de faro muito apurado e vira piada na roda dos grandes analistas de mercado e agencias de classificação de risco.

Definitivamente esse é, ao lado de O lobo de Wall Street, o mais divertido e hilário filme sobre o nada atrativo mundo da economia, graças o tom satírico impresso em cada fragmento por seu diretor Adam Mckay. Abusando do tom cômico com maestria, Mckay impõe cortes rápidos e montagem ágil para suavizar o pesado jargão do mundo econômico. Outro enorme acerto é a decisão de romper a “quarta barreira”(dialogar diretamente com o espectador) além de usar com excelência, cortes com celebridades ( Margot Robbie, deliciosa em uma banheira e Selena Gomez em um cassino) para explicar as variáveis e siglas econômicas. O elenco esta impecável, destaque para Bale e Steve Carrel (o melhor) e o tom certo de sarcasmo de Ryan Gosling e a discrição de Brad Pitt. Um filme que usa do bom humor para escancarar um dos mais tristes e cruéis episódios do mundo recente, que dizimou milhões de empregos e destruiu famílias. Concorreu a cinco Oscars: melhor filme; ator coadjuvante (Bale); diretor; roteiro adaptado e de melhor montagem.

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