Interestelar (Interstellar)

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Fala, Kalango cinéfilo!

Vamos falar da ficção científica mais recente, Interstellar.

Depois de Origem (controverso) e do fraquíssimo Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge, Cristopher Nolan volta com uma ficção cientifica de peso. Prometia ser o novo 2001 Uma Odisséia no Espaço. Ou pelo menos o seu Odisséia no Espaço.

De longe temos um bom filme. Nolan sabe contar uma história. Conceitos físicos modernos, muito difíceis de serem explicados numa conversa de bar, são descritos com uma naturalidade impensada por mim (professor de Física!). O mundo está quase totalmente esgotado de recursos alimentícios, necessitando de pessoas dispostas a trabalhar nas fazendas de cultivo de milho que é o ultimo recurso. E é onde se encontra Cooper (Matthew McConaughey), ex-piloto da NASA e Engenheiro frustrado por não ter tido sua oportunidade num programa de exploração espacial. Um filme aparentemente lento constrói muito bem a relação de Cooper com sua família, principalmente com a sua filha Murphy (Mackenzie Foy, Jessica Chastain e Ellen Burstyn).

Depois de muitos sinais observados por sua filha, Cooper é impelido a participar de uma última missão de uma NASA remanescente, liderada pelo cientista Professor Brand (Michael Caine), para procurar um planeta com condições de receber os seres humanos. Sim temos uma ficção científica de respeito. Um roteiro bem acabado baseado em conceitos científicos muito interessantes como Teoria da Relatividade, Campos Gravitacionais e Inteligência Artificial (Destaque para o robô funcional TARS com voz de Bill Irwin).

Contudo, vejo o filme como um embate entre ciência e amor. Muito mais que um embate simplório aqui se tem dois nítidos estilos de fé. O cientista tem fé nas teorias e conjecturas sobre o universo e acredita que é possível que se encontre uma saída para humanidade. Já o amor de Cooper é a fé de usar a ciência como ferramenta para cumprir sua palavra e manter seus amados a salvo. Pode a ciência ou o amor serem diferentes de fé? E é disso que se trata o filme para mim.

Não é o filme mais comercial de Nolan (apesar de ser um blockbuster), nem o melhor filme de sua carreira. Mas com toda certeza é um filme obrigatório de ser visto por quem gosta de cinema e de uma boa ficção científica. Ah! Quase me esqueci de Anne Hathaway que vivia Brand, a filha do Professor Brand. Vou simplificar: Ela tenta e McConaughey arrebenta. Vejam esse filme no cinema.

Deixem suas opiniões, vamos conjecturar.

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  • Pingback: KA #26 – Interstellar com Spoilers | Kalango Atômico - Podcast do Cerrado()

  • Galliard Magagliani

    Eu humildemente acredito que sua crítica esteja diminuindo esta obra-prima e nem dá para dizer que você não entendeu do que se trata, visto que a ideia de contrastar um polo humanístico e outro científico realmente parece ser o cerne da narrativa. Não vi atuação abaixo de excelente neste filme, mas comparar qualquer coadjuvante ao Matthew na conjectura atual da carreira dele é covardia. Nolan merece todos os créditos do mundo por se recusar a sucumbir à imbecilidade do cinema blockbuster atual, entregando uma obra que pode ser difícil de ser assimilada e que considero um dos poucos filmes dignos de reprise (como Inception). O protocolo atual da ficção científica realmente procura inserir o gênero no contexto humano, cada vez mais tomando distância do aspecto caricato de narrativas como Babylon 5 e tantos outros, em que o Sci-fi era entremeado em romances mal elaborados e personagens sem carisma. Interstellar é emocionante, imersivo e intrigante, mostrando que somos ao mesmo tempo pequenos em relação ao universo, mas que também podemos ser infinitos e eternos através das nossas decisões.

    • Obrigado pelas considerações, Galliard. Muito pertinentes. Contudo, ainda não entendo Interestelar como uma obra prima. Lógico que é questão de opinião. E não desmereço Nolan por seu excelente filme. o/