Fiel a si mesmo.

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Certamente, Os 8 odiados figura entre os projetos mais conturbados na filmografia de Quentin Tarantino. Primeiro, nasceu como sequência de Django e no meio do caminho Tarantino resolveu mudar tudo. Depois, o roteiro vazou na internet e o diretor/roteirista cogitou abortar a obra. Outro empecilho, foi a vontade de Tarantino em filmar em película 70mm, formato praticamente extinto. Por último, uma semana antes de estrear nos cinemas gringos vazou uma cópia na Web. Foi realmente um saga, mas que no fim no compromete em nada a qualidade do filme.

Somos transportados para os EUA logo após a guerra civil, no meio da nevasca uma carruagem trás um caçador de recompensas, John “O carrasco” Ruth (Kurt Russell) e sua prisioneira Daisy Domergue (Jennifer Jason Leigh), que no caminho dão carona ao ex soldado da união, Major Marquis Warren (Samuel L. Jackson) e a Chris Mannix (Walton Goggins) que apresenta-se como o novo xerife de Red Rock, destino final da carruagem. Para escaparem da neve decidem esperar o tempo melhorar no armazém da Minnie, onde já estão “hospedados” os outros 4 odiados: O general confederado Sandy Smithers (Bruce Dern), Joe Gage (Michael Madsen), o mexicano Bob (Demián Bichir) e o inglês Oswaldo Mobray (Tim Roth).

Praticamente ignorado pelo Oscar, o filme concorre apenas em três categorias, fotografia, trilha sonora (excelente) e atriz coadjuvante (Jennifer Jason Leigh), nenhuma é de grande importância, ficando fora até mesmo da categoria onde Quentin é hors concours, roteiro original (injustamente, ao meu ver).  Parte da ausência em outras categorias, deve-se ao fato de Quentin não apresentar nenhuma novidade em relação a sua própria filmografia, o que realmente enfraquece impacto, mas não o filme. O que temos na tela é um mosaico Tarantinesco, o cenário lembra cães de aluguel, o sangue lembra Kill Bill, o racismo lembra Django, Kurt Russel no elenco lembra A prova de morte (hehe) e atores dando o melhor de si, especialmente Jackson, Leigh e Russel, deixa claro que é sim, um filme de Tarantino. Mas também a espaço para novos dimensionamentos, como abordar as mágoas da guerra civil e emular a formação do próprio pais, com a presença de uma mexicano e um inglês entre os personagens. Também é evidente que seu gosto pela violência é metafórico e compõe o universo da sua própria metalinguagem. Podemos dizer ao final da sessão que estamos diante de uma legitimo filme de Tarantino, cada segundo da película carrega as marcas do seu autor. Talvez, seja esse o único “erro” da obra. Tarantino diz que vai se aposentar ao completar seu décimo trabalho, este foi o oitavo. Só nos resta lamentar, pois, o pior filme de Quentin é melhor que quase tudo que se filma hoje em dia.

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  • Eurípedes Braga

    Estou começando a desconsiderar os comentários do Omelete para vir ver o seu prof..