Entre o fanatismo e o sobrenatural – Filme A Bruxa

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Particularmente, acho o gênero do terror um dos mais difíceis de alcançar uma eficiência em sua proposta, não estou falando da capacidade de um filme te assustar, até porque, isso é muito fácil, os clichês estão aí para isso. Basta um filme seguir a premissa: música de suspense, ambiente escuro, abrir uma porta, aumentar o volume do som ao máximo e da um close. Pronto, a plateia vai saltar da cadeira. Isso é o que eu chamo de pobreza cinematográfica, um tipo de covardia, que para piorar não leva a narrativa a nada, pois, geralmente o que vai pular na tela com um som ensurdecedor junto, é um gato, um rato ou vai cair algum objeto. Susto e medo são coisas diferentes. Os bons filmes de terror são aqueles que te assustam e se possível te amedrontam. O exorcismo de Emily Rose, Invocação do mal e alguma coisa da série Atividade Paranormal conseguem isso. Os grandes filmes de terror “apenas” te fazem sentir medo, não precisa te assustar, basta te fazer acreditar que aquilo pode ser real, pode acontecer conosco. O exorcista, A profecia e O bebê de Rosemary são bons exemplos. Nesse último caso é onde se encaixa A Bruxa.

A história é simples: uma família de colonos ingleses no XVII, são banidos do vilarejo onde moram em alguma região dos E.U.A, a família é extremamente religiosa, o motivo do banimento não é exposto, mas fica claro que é algo religioso. Assim, eles partem rumo ao desconhecido e acabam fazendo morada no meio do nada, próximo a uma floresta. Ali, se deparam com o sumiço do bebe da família e acontecimentos estranhos.

Os méritos deste pequeno filme são muitos. Deste a simplicidade da obra até a condução precisa de seu diretor, o novato Roger Eggers, que ganhou um prêmio no festival de Sundance. Tudo na obra contribuí para seu clima claustrofóbico, a fotografia turva, embaçada e “sem vida”. A trilha musical, aquele violino desafinado. O elenco te convence de tudo, tamanha a naturalidade de todos na tela, é como se todos falassem a verdade, todos tem razão. Por fim, o roteiro, que monta com maestria a trama, transitando com rara perfeição entre os limites do fanatismo e da fé. Se você gosta apenas de sustos não perca seu tempo, mas se gosta de medo, de acreditar que tudo na tela é real, vá com medo.

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