Debate em todas as frentes.

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Em 1987, o holandês Paul Verhoeven brindou o mundo com uma sátira sobre as grandes corporações, a polícia, a imprensa e a legalidade da sociedade diante da máxima “bandido bom é bandido morto” e de que o Estado está certo em combater a violência com mais violência. O grande charme do Robocop de Verhoeven era o humor negro e politicamente incorreto que permeava sua obra.

Quase 20anos depois, Hollywood decidiu que era hora de refazer o filme, atualiza-lo diante das novas gerações, tecnologias e debates sobre o mundo de hoje. José Padilha foi uma boa escolha e o resultado é satisfatório. O filme vai funcionar melhor para quem não conhece a versão original e acompanha os telejornais atuais. Drones, vigilância constante e ininterrupta, violência contra violência, corrupção, imprensa manipuladora, ética médica e vários outros temas estão presentes. A mão de Padilha se faz presente, cada um de seus filmes está aqui também. O Murphy dentro da máquina é um pedaço de Cap. Nascimento. A armadura preta é o BOPE, Novak é o deputado e apresentador sensacionalista Fortunato. Obviamente a liberdade de Padilha foi subtraída diante da vontade do estúdio, mas, seu cinema continua lá.

Para nós brasileiros o filme vem em um momento delicado. Escalada da violência, mídia formadora de opinião, justiceiros, legalização da violência pela própria sociedade tornam o filme ainda mais reflexivo para nós. Outra vitória de Padilha foi poder levar sua equipe para filme. Lula Carvalho e Daniel Rezende são seus habituais colaboradores. Ao fim Robocop é um filme eficaz e interessante, funcionaria melhor se não fosse o excesso de questões de debate, pois, abre vários leques discursivos e não se aprofunda e nem se concentra em nenhum. Para uma estreia está de bom tamanho e seria melhor se não fosse pela existência do original.

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