C(r)oitado.

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Houve uma época que o sobrenome Barreto era sinônimo de filmes de qualidade. Luiz Carlos Barreto é o maior produtor do Brasil, seus filhos foram responsáveis por duas indicações do Brasil ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Bruno com O que é isso companheiro? e Fábio com o Quatrilho. Por isso me assustou muito quando subiram os créditos de Crô e me deparei com o nome de Bruno Barreto como diretor. Não que a carreira dos Barretos esteja permeada apenas por glórias, mas aqui deve ser o fundo do poço, até porque Bruno nos deu esperança que tinha reencontrado o caminho com seu último trabalho, o sensível Flores raras, infelizmente era apenas um blefe.

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Para os desavisados, Crô deriva da novela Fina estampa da Globo, ficou no ar entre Agosto de 2011 e Março de 2012. Na novela Marcelo Serrado fez um enorme sucesso na pele do mordomo Crô e aqui ele volta ao personagem. Prestem atenção na estória do filme: Crô virou milionário após herdar a fortuna de sua patroa na novela, agora está buscando fazer algo da vida, mas tudo o que ele tenta dá errado. Aí ele decide que quer voltar a ser mordomo apesar de ser rico (!?). Crô abre uma espécie de concurso para escolher sua nova patroa (!) aquela que vai mandar e humilhar ele (!). De repente o filme deixa de ser uma pseudo-comédia, entra em cena uma legião de bolivianos que trabalham como escravos, Crô se torna um salvador dos oprimidos, com direito a tiros e perseguições, seu mordomo, o Zoiúdo, encarnar o Eddie Murphy em Um tira da pesada e tudo acaba lindamente resolvido.

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Ao final, fica a clara impressão que na velocidade do mundo de hoje o personagem se perdeu, Crô perdeu o time, o filme demorou a chegar aos cinemas. A novela passou, foi esquecida, o personagem gay do momento deixou de ser Crô, agora é Félix. Além da demora, o roteiro é uma das piores coisas que já foram filmadas no Brasil. Enfim, poucos risos, poucas piadas, poucos grandes momentos. Até para consumidores do lixo cômico que o país produz atualmente o riso é no fim sem graça.

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