Complexo e metafórico, Villeneuve cria obra para quem não tem preguiça de pensar.

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Alguns filmes são complexos que beiram o incompreensível. A lista destes exemplos é enorme. Geralmente são dirigidos por autores, aqueles diretores que o único compromisso é serem fieis ao seu próprio estilo, criando obras que geralmente não agradam aos mais preguiçosos. David Cronenberg tem Gêmeos: mórbida semelhança, Crash: estranhos prazeres e Spider: sua mente pode destruir. David Lynch é representado por Veludo azul e Cidade dos sonhos. Darren Aronofsky vem como Pi (π) e a Fonte da vida. A preguiça da maioria dos expectadores afeta diretamente o sucesso destas obras e geram um boca a boca negativo. É o caso do novo filme de Denis Villeneuve chamado no Brasil de O homem duplicado.

A história é interessante, um professor de história assiste um filme e descobre que um dos atores é idêntico a ele. Intrigado ele parte para investigar a estranha descoberta e mergulha em um mundo repleto de incertezas e busca por saber quem ele é.

Deste simples conjunto Villeneuve incendeia a tela com uma narrativa absurdamente intrigante. Não pisque, aqui os detalhes são essências para se compreender a história. Baseado na obra de José Saramago (que nunca foi um escritor fácil de se compreender) o roteiro se desenvolve lentamente apresentando tudo de maneira sóbria e competente. Jake Gyllenhaal está perfeito, juntamente com a fotografia e a trilha sonora. O homem duplicado não um filme fácil, assim como não é para todos os púbicos. Para compreender é preciso está atento em todas as metáforas propostas pelo roteiro e principalmente não ter preguiça de pensar. A compreensão é feita após a sessão, no caminho de casa, onde sua mente vai juntando todas as peças do quebra cabeças e você finalmente aceita, diferentemente da maioria, que acabou de assistir a um grande filme.

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