Autoral e controverso.

Noe-kalangoatomico-destaque-japao

A filmografia de Darren Aronofsky é baseada em personagens fortes e complexos, que beiram a loucura em busca de suas convicções. Desde o matemático de Pi (1998) até a bailarina de Cisne Negro (2010), passando pelos drogados de Réquiem para um sonho (2000) ao lutador que busca provar que ainda não está acabado em O lutador (2008). Aronosfky é um autor e seu cinema parece ser simples, mas não é. Seus personagens são profundos e confusos com eles mesmos. Seu lado autoral fica evidentemente explicito em Noé (2014), sua tentativa de fazer um filme comercial amparada por uma das mais famosas histórias da bíblia se mostra controversa, pois seu lado de autor sufoca a grandiosidade conhecida sobre Noé.

Claramente firmando o roteiro em textos dentro e fora da bíblia o filme começa justificando a vontade de Deus em destruir a terra, buscando começar tudo novamente a partir da família de Noé. A missão deste homem é construir uma arca e colocar os animais e sua família dentro enquanto um diluvio inunda toda a terra. Essa é parte conhecida e relatada  pela bíblia, mas não a do filme de Darren. O diretor cria um ambiente muito além do bíblico e aqui seu filme se perde

Noé é uma história conhecida por quase todos, por mais que as tradições religiosas estejam meio fora de moda, Darren  busca justificar as aparentes dúvidas que a bíblia nos deixa. Biblicamente Deus cria Adão baseado em si mesmo (imagem e semelhança) Aronofky imagina Adão e Eva de luz (talvez acreditando que Deus é Luz?) e somente depois de comer do fruto proibido eles ganham a forma humana. Também tenta explicar como Noé constrói sozinho uma arca gigante, e lá vem uma explicação meio bizarra: existiam na terra uns anjos caídos gigantes feitos de pedra e eles ajudaram Noé. Por fim o diretor tenta explicar por que o mundo continua mal se Deus começou tudo novamente com Noé e sua família. A explicação: Noé percebe que o problema do mundo são os humanos e tenta desesperadamente evitar que sua família se multiplique e povoe a terra novamente, como ele não evita essa multiplicação a terra continua mal até os dias de hoje. Como cinema Noé entretém pouco, Russel Crowe deixa claro que seus melhores dias ficaram em um passado distante. O resto do elenco está apenas seguindo o padrão e os efeitos são de boa qualidade. Noé poderia se chamar qualquer outra coisa e seu maior defeito é justamente se chamar Noé.

Noe-kalangoatomico-japao

Ouça o nosso podcast sobre Noé.

Post no site, AQUI.

Soundcloud abaixo.

Compartilhe ...Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on TumblrShare on Google+Email this to someone